images/Logo_Neuronio.png

Portugal acima da média europeia na digitalização

Portugal ficou em 14º lugar entre os 28 países comunitários no índice digital europeu e está mesmo acima da média europeia. Destacando-se em áreas como as infraestruturas fixa e móvel, cobertura, governo eletrónico e digitalização das empresas. No entanto, tem ainda vários constrangimentos para ultrapassar. Especialmente no que se refere a competências digitais e à utilização da internet, diz a CE no seu mais recente estudo sobre a digitalização da economia e da sociedade no espaço europeu.

Acaba de ser divulgado o "European Digital Progress Report" da Comissão Europeia de 2016, que mostra o nível de digitalização da economia e da sociedade no espaço europeu. No que respeita a Portugal, o documento revela que o país está na 14ª posição entre os 28 Estados-Membros da UE, sendo considerado dos mais avançados. A sua pontuação total está acima da média europeia, tendo o país registado um desenvolvimento mais rápido que a UE no último ano.

Este desenvolvimento deve-se, segundo Bruxelas, "em grande parte à evolução notável no capital humano". Mas esta área continua, no entanto, a ser a área mais fraca do país. E teve um dos melhores desempenhos nos serviços públicos digitais, muito embora esta tenha sido a área que registou o menor desenvolvimento durante o último ano.

Em termos de conectividade, o relatório confirma que o país tem bom desempenho e regista bons progressos. A cobertura da rede de banda larga é boa, estando a banda larga fixa disponível para todas as residências, com velocidade de transmissão de, pelo menos, 30 Mbps em 91% das casas (bem acima da média da UE de 71 %). No entanto, há ainda diferenças entre regiões. Nas zonas rurais, as redes com velocidade de transmissão de, pelo menos, 30 Mbps estão disponíveis para menos de metade dos agregados familiares. Mas há novos projetos de cobertura em fibra até 2020, "o que demonstra que Portugal tem um mercado dinâmico que estimula o investimento privado". Já na cobertura dos serviços móveis, mais de 94 % dos agregados familiares dispõem de cobertura 4G.

O relatório considera que o principal desafio de Portugal continua a ser a aceitação da banda larga fixa e móvel. Embora as assinaturas de banda larga tenham aumentado significativamente nos últimos anos, apenas cerca de 61 % dos agregados familiares portugueses têm contratos de banda larga fixa e menos de metade dos cidadãos têm contratos de banda larga móvel. Uma situação que poderá ser atribuída tanto aos preços (o país tem o quinto preço da banda larga básica mais caro da UE) como à falta de interesse ou de conhecimento sobre os benefícios da Internet, como consequência provável do significativo défice de competências digitais do país.

É que em termos de capital humano, Portugal está abaixo da paridade, embora a crescer rapidamente. Apenas 65 % dos cidadãos portugueses usam a Internet regularmente - o 6.º valor mais baixo da EU - e 28 % da população nunca utilizou a Internet (a média da UE é de 16 %). Estima-se que apenas 48 % da população portuguesa tenha competências digitais básicas (8.º lugar mais baixo da UE) e apenas 2,5 % das pessoas empregadas são especialistas em TIC (6.º lugar mais baixo da UE).

No entanto, em termos de utilização da Internet, o relatório mostra que os utilizadores portugueses participam num vasto leque de atividades online, o que os coloca ao mesmo nível ou até acima da média da UE. Só no caso das compras online, é que se mostram muito relutantes (só 44% compram, o 7º valor mais baixo), assim como na banca online (só 41% utilizam, sendo o 5º valor mais baixo na UE). Refere-se que esta relutância poderá ser "reflexo da falta de confiança causada pela perceção da falta de segurança".

No que se refere a integração das tecnologias digitais, o país tem "um bom desempenho e bons progressos". Ocupa o 2º lugar entre os países da UE na utilização de RFID e o 5º na utilização do ERP. Refere-se, contudo, que há margem para melhoria, em especial na utilização das redes sociais, onde o país tem a 8ª taxa mais baixa da UE.

As empresas portuguesas efetuaram grandes progressos no comércio online: a percentagem de PME que vendem online aumentou significativamente (de 14 % para 19 %), tal como a percentagem de PME que vendem online para outros Estados-Membros da UE (de 5,4 % para 7,9 %) e o volume de negócios obtido com as vendas (de 11 % para 13 % do volume de negócios total das PME).

O relatório aborda ainda os serviços públicos digitais, onde apesar do bom desempenho, o progresso é inferior à média da UE. Portugal registou um número ligeiramente inferior de utilizadores da Internet a colaborar com a AP online (41 %, contra 43 % no ano passado), apesar de ter um dos mais sofisticados serviços públicos online na UE. O país está em 3º lugar nos serviços prestados exclusivamente online e em 4º na reutilização de dados dos utilizadores nos formulários digitais. "Ao longo do último ano, o compromisso do país relativamente aos dados abertos parece ter enfraquecido", destaca-se.

No diagnóstico nacional, Bruxelas adianta ainda que o país está "numa trajetória positiva no sentido da modernização e digitalização do setor público, através da fixação de objetivos ambiciosos e da proposta de medidas adequadas que devem ser adequadamente financiadas e postas em prática". E que um dos principais obstáculos à realização do potencial dos seus serviços públicos digitais é a relativamente baixa taxa de utilização pelos cidadãos. Iniciativas como os Espaços do Cidadão são consideradas "soluções criativas para chegar aos cidadãos desfavorecidos para que possam também beneficiar da oferta abrangente de serviços online".

Top
We use cookies to improve our website. By continuing to use this website, you are giving consent to cookies being used. More details…